Primeiro ponto: os derrames de crude são imprevisíveis!
Segundo ponto: os sete oceanos que existem no planeta são, na realidade, uma massa única de água - porque comunicam entre si.
Terceiro ponto: cada vez que, por acidente ou através de uma lavagem (deliberada mas ilegal) de tanques, é lançado crude ao mar, estamos a inserir veneno nas cadeias tróficas, pois não só matamos imediatamente incontáveis animais como estamos a envenenar inúmeros mais (que, por vezes, acabaremos por consumir).
Importa, por isso, saber como evitar os chamados oil spills - mas também é preciso saber definir prioridades face a um derrame, quer ele ocorra em alto mar ou perto da costa.
E é isso que vai acontecer através de uma Carta de Recomendação, a elaborar ainda esta semana no Zoomarine, nos dias 17, 18 e 19, no âmbito de um encontro técnico-científico, denominado RIOS Reducing the Impact of Oil Spills, co-organizado pelo Zoomarine, pela Nordeconsult e pela Sea Alarm Foundation.
Grandes especialistas mundiais em aves, mamíferos, répteis e ecologia vão reunir-se no sentido de elaborar um Plano de Acção Europeu sobre as Necessidades de Investigação para a Redução do Impacto dos Derrames de Petróleo na Vida Selvagem. O plano de acção será submetido à Comissão Europeia e poderá ser utilizado por esta no contínuo desenvolvimento da política de investigação Europeia. Serão, portanto, abordadas as prioridades de actuação face a oil spills em termos de monitorizações, impactos ambientais, detecção de zonas sensíveis, acompanhamento de animais reabilitados e reintroduzidos nos habitats, entre outros.
O porquê das recomendações à Comissão Europeia passa, naturalmente, pela consciencialização de que, se temos que lidar com este tipo de acidentes, então há que optimizar as estratégias de minimização dos seus terríveis impactos.
Recorde-se que, diariamente, cruzam as águas portuguesas dezenas de petroleiros vindos, por exemplo, do Mediterrâneo. Felizmente, acidentes como o ocorrido com o navio Prestige não são frequentes; no entanto, são imprevisíveis em termos de data, localização, volume e tipologia do derrame. Continuam a ser, no entanto, comuns as lavagens ilegais de tanque efectuadas em alto mar (ou próximo da linha costeira), de onde resulta a libertação de um volume não despiciente de crude. Não provocam uma maré negra... mas contribuem para a degradação dos ecossistemas.
Em Albufeira, um dos convidados do Workshop RIOS será Ed Levine, um norte-americano que, na NOAA, National Oceanic and Atmosphere Administration (a agência federal que gere as questões relacionadas com oceanos e atmosfera) coordena as respostas operacionais a este tipo de acidentes. A colaborar com o RIOS, estarão, igualmente, representantes da Sociedade Portuguesa para Estudo das Aves (Portugal), Oiled Wildlife Care Network (EUA), International Bird Rescue Research Centre (EUA), Centro de Recuperación de Fauna Silvestre de Tafira (Espanha), British Trust for Ornithology (Reino Unido), Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (Reino Unido), Canadian Wildlife Service (Canada), International Tanker Owners Pollution Federation (Reino Unido), entre muitos outros.
Certos de que vamos conseguir contribuir para a definição de estratégias de combate e mitigação dos impactos dos oil spills, convidamos Vossa Exª a acompanhar e partilhar tais descobertas.
Para mais informações, é favor contactar:
- Élio Vicente (biólogo marinho), Director de Ciência e Educação do Zoomarine (Tel.: 966 966 540; E-mail: eliovicente@zoomarine.pt)
- www.zoomarine.com/rios e http://www.nordeconsult.com/RIOS/
Posted at 10:36 am by escolademar