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CURSO SOBRE MATÉRIAS-PRIMAS EXÓTICAS Datas: 1º curso: 4 Abril, 9 Maio, 6 Junho 2º curso: 18 Abril, 23 Maio, 20 Junho Horário: 14.00-18.00 Público-alvo: Adultos Preço: € 120,00/três módulos (três sessões) Nº de participantes: Mín. 12, máx. 16 Coordenador: Luís Mendonça de Carvalho, professor-adjunto no Instituto Politécnico de Beja e director do respectivo Museu Botânico; professor convidado na Universidade de Harvard. Uma das consequências mais importantes do estabelecimento de relações comerciais permanentes entre Portugal e o Oriente foi o acesso directo a matérias-primas e a objectos raros e preciosos. No início do século XVI, circulavam nos mercados europeus mercadorias exóticas como não acontecia desde que o Império Romano do Ocidente sucumbira às invasões bárbaras. O interesse por produtos orientais nunca desaparecera, mas a ausência de redes comerciais estáveis não permitia a manutenção de mercados organizados. Durante a Idade Média, a Exotica que chegava à Europa, via Constantinopla e Alexandria, era rara e dispendiosa. As alterações sociais provocadas pelas Cruzadas estimularam o interesse por produtos orientais e os comerciantes de algumas cidades italianas, como Veneza e Génova, responderam à crescente procura de especiarias e produtos de luxo. Contudo, foram os Portugueses que, após o regresso de Vasco da Gama, abriram, de facto, os mercados europeus aos produtos orientais. Durante todo o século XVI, a cidade de Lisboa foi um centro europeu de comércio para o qual convergiram emissários de monarcas, nobres e pensadores procurando Exotica Naturalia e Artificialia que respondesse às suas crescentes necessidades materiais, filosóficas e religiosas. Exotica Naturalia vai estudar as principais matérias-primas orientais que chegavam à Europa via Mediterrâneo ou através da Via Orientalis, dominada pelos Portugueses. O curso foi dividido em três módulos independentes: Módulo I – Species Neste módulo explorar-se-á a história das especiarias (grãos-do-paraíso, pimenta-da-etiópia, pimenta-branca, pimenta-preta, pimenta-cubeba, pimenta-longa, canela-da-Batávia, canela-de-saigão, canela-do-ceilão, cravinho, maça, noz-moscada, cardamomo, amomo, açafrão, açafrão-das-índias, etc.) desde a Antiguidade até ao século XIX, com especial ênfase no papel desempenhado pelos Portugueses no seu comércio e difusão. Para além dos aspectos históricos, analisar-se-á a sistemática das plantas produtoras de especiarias, os compostos químicos característicos de cada espécie, a composição dos seus óleos essenciais e as suas aplicações contemporâneas. Serão apresentadas centenas de imagens e amostras de todas as especiarias estudadas e serão distribuídos bibliografia e outros materiais de apoio. Módulo II – Vegetalia Neste módulo estudar-se-á a história dos principais produtos orientais de origem vegetal (excluindo as especiarias) como, por exemplo, chá, sândalo, ébano, ruibarbo, cânfora, cocos-do-mar, índigo, algodão, pau-de-águila, mirra, incenso, gamboge, assa-fétida, goma-arábica, benjoim-do-sião, benjoim-da-samatra, sangue-de-dragão-de-socotorá, laca-da-china, laca-do-japão, etc. Para além dos aspectos históricos, analisar-se-á a sistemática das plantas produtoras destas matérias-primas e as suas aplicações contemporâneas. Serão apresentadas centenas de imagens e amostras de todos os produtos estudados e serão distribuídos bibliografia e outros materiais de apoio. Módulo III - Animalia – Mineralia Neste módulo estudar-se-ão as principiais matérias-primas exóticas de origem animal e mineral, como, por exemplo, púrpura, seda, âmbar-cinzento, tartaruga, pérolas, madrepérola, corno de rinoceronte e de unicórnio, marfim (olifante, mamute), avestruz, náutilus, almíscar, pedra-bezoar, lacre, lápis-lazúli, safiras, rubis, diamantes, entre outros. Analisar-se-á a relevância destes objectos nas Câmaras de Maravilhas renascentistas e o seu papel no estabelecimento dos modernos museus. Estudar-se-ão, igualmente, aspectos relativos à sistemática das espécies animais, aplicações contemporâneas dos produtos de origem animal, assim como o seu estatuto legal de conservação. O estudo das gemas orientais será efectuado com base em imagens e bibliografia. Serão apresentadas centenas de imagens e amostras de todas as especiarias estudadas e serão distribuídos bibliografia e outros materiais de apoio. |
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